Educação transformadora: aprender para mudar realidades
Educação transformadora: aprender para mudar realidades
No Instituto Roama, entendemos que aprender ao longo da vida é um direito humano fundamental e um requisito para enfrentar os desafios sociais, culturais e econômicos do século XXI. O conceito de aprendizagem ao longo da vida ganhou força a partir de documentos chave da ONU, como o Relatório Faure (UNESCO, 1972) e o Relatório Delors (UNESCO, 1996), que propuseram que aprender ao longo da vida é uma necessidade para o desenvolvimento humano integral e social. No campo teórico, várias correntes dialogam com esse ideal. Ele é tecido pela voz de pensadores que, em diferentes tempos e contextos, buscaram compreender como aprendemos e nos transformamos.
John Dewey, por exemplo, via a educação como experiência viva. Para ele, aprender não era acumular conteúdos, mas mergulhar em situações e reflexões. Ele contribuiu com uma fundamentação filosófica para que a aprendizagem não se limite ao período escolar ou universitário, mas seja um processo dinâmico, contínuo e contextualmente situado. A sua teoria abrangeu a dimensão social e democrática da educação pois para o autor a aprendizagem não se dá isolada, mas em interação com o meio, em situações sociais que envolvem comunicação, desafios e colaboração. (DEWEY, 1938)
pesquisar Paulo freire
Peter Jarvis aprofundou esse caminho ao pensar a aprendizagem como um processo existencial. Aprender, para ele, é responder às situações inesperadas da vida, transformar a si mesmo e dar novos significados ao mundo. Ele desenvolveu um panorama abrangente de como a aprendizagem ocorre em contextos formais, não formais e informais, além de abordar como os adultos aprendem ao longo da vida. (JARVIS, 2010, p. 67)
David Kolb, em diálogo com Jarvis, sistematizou a chamada aprendizagem experiencial que se trata de um ciclo que começa pela vivência concreta, passa pela reflexão, gera conceitos e retorna à ação, formando uma espiral contínua de crescimento do conhecimento. A cada nova situação o aprendiz pode ser desafiar, refletindo, reinterpretando e agindo de forma a abrir horizontes para formas mais amplas de ver o mundo, o que Jack Mezirow chamou de aprendizagem transformadora. Segundo este autor, a aprendizagem pode ser transformadora se o aprendiz é capaz de questionar seus pressupostos de significado por meio de uma reflexão crítica, reexaminando crenças, valores ou formas de interpretar o mundo (MEZIROW, 1995).
Por sua vez, o construtivismo social sustenta que o aprendizado é mediado socialmente, isto é, que os indivíduos constroem conhecimento em interação com outros, com base em cultura, linguagem e prática coletiva. Vygotsky e Wenger reforçam que aprender nunca é um ato solitário. Para o Vygotsky, as funções mentais superiores se constroem na interação social. Para Wenger , a aprendizagem acontece em comunidades de prática, onde o conhecimento nasce do fazer coletivo e da partilha de sentidos.
Todas essas correntes não apenas se somam, mas dialogam entre si, compondo uma paisagem rica em caminhos e perspectivas para pensar a aprendizagem como experiência, transformação e encontro. Portanto, pensar em como a educação pode ser transformadora ao aprender para mudar realidades significa reconhecer que a aprendizagem contínua deve promover não apenas a aquisição de competências, mas sobretudo a capacidade de transformar-se e transformar contextos sociais. Trata-se de unir reflexão crítica, prática social e pertencimento comunitário, garantindo que cada processo educativo se converta em ferramenta de mudança individual e coletiva.
Referências
DEWEY, John, 1984, s/p. Lifelong Education in the Writings of John Dewey. Disponível em https://eric.ed.gov/?id=EJ297677 Acesso em 29 set. 2025.
DEWEY, John, 2017, s/p. John Dewey in the 21st Century. Disponível em https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1158258.pdf Acesso em 29 set. 2025.
DEWEY, John, 1938, p. 25. Experience and Education. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Experience_and_Education_(book) Acesso em 29 set. 2025.
DEWEY, John, 2010, s/p. Mediating Work and Culture through Dewey’s Integrative Vision of Vocational Education. Disponível em https://www.proliteracy.org/resources/mediating-work-and-culture-through-deweys-integrative-vision-of-vocational-education/ Acesso em 29 set. 2025.
JARVIS, Peter, 2010, p. 67. Adult Education and Lifelong Learning. Disponível em https://api.pageplace.de/preview/DT0400.9781135695361_A23807487/preview-9781135695361_A23807487.pdf Acesso em 29 set. 2025.
JARVIS, Peter, 1987, p. 5. Towards an Analysis of Learning From Life. Disponível em https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0001848187037003004 Acesso em 29 set. 2025.
DYKE, Martin, 2017, p. 12. An Exploration of Peter Jarvis’s Contribution to Experiential Learning. Disponível em https://eric.ed.gov/?id=EJ1137749 Acesso em 29 set. 2025.
KOULAUZIDES, Giannis, 2017, s/p. Understanding Adult Learning and Teaching: Some Thoughts Based on the Intellectual Contribution of Professor Peter Jarvis. Disponível em https://www.researchgate.net/publication/313888834_Understanding_Adult_Learning_and_Teaching_Some_Thoughts_Based_on_the_Intellectual_Contribution_of_Professor_Peter_Jarvis Acesso em 29 set. 2025.
AUTOR DESCONHECIDO, 2020, s/p. Learning as an Individual and Social Developmental Process: Thoughts on the Intellectual Quests of Jarvis and Mezirow. Disponível em https://www.academia.edu/47778125/Learning_as_an_Individual_and_Social_Developmental_Process_Thoughts_on_the_Intellectual_Quests_of_Jarvis_and_Mezirow Acesso em 29 set. 2025.
KOLB, David, 1984, p. 41. Experiential Learning: Experience as the Source of Learning and Development. Disponível em https://scholar.google.com/scholar_lookup?title=Experiential+Learning&author=David+A.+Kolb&publication_year=1984 Acesso em 29 set. 2025.
MEZIROW, Jack, 1995, p. 50. Transformative Learning Theory. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Transformative_learning Acesso em 29 set. 2025.